sábado, 11 de outubro de 2008

Políticas Públicas para a Educação Básica

Reflexões

 

Os argumentos ideológicos que sustentaram(am) o discurso da inferioridade da raça negra, negaram(am) as particularidades do escravismo dos negros africanos inseridos no capitalismo mercantil e ignoraram(am) a contribuição dos povos africanos na criação e sustentação de civilizações, advieram da necessidade dos povos europeus justificarem sua hipotética superioridade. Assim, a idéia da superioridade da raça branca, supostamente comprovada pela ciência, passou a justificar procedimentos de dominação de outros povos, como a escravidão, a conquista, o colonialismo e o imperialismo.

 

Entendendo a educação como possibilidade de transformação e transformação e os livros didáticos enquanto um dos instrumentos para isso, a constatação de que apesar do Brasil ter uma população negra de mais de 90 milhões de pessoas, o que lhe qualifica como o segundo maior país de população negra do mundo, esta população é quase que invisível. Encontra-se sub-representada no parlamento, nos fóruns de poder institucional e nas universidades etc; mesmo na televisão e propagandas, homens e mulheres negras são invisíveis; nos indicadores sócio-econômicos, a população negra aparece – sempre – em nítida e reproduzida desigualdade em relação ao restante da população, o que revela um tratamento da população negra, no mínimo, equivocado. 

 

O “desenraizamento”, com o sentido de perda das raízes históricas, da identidade cultural própria, influenciado e condicionado pelo currículo e postura “eurocêntricos” parece ser o grande responsável pelo descompasso entre a visão histórica presente nos livros didáticos de que os quilombos foram extintos e a realidade da existência de mais de 2000 comunidades quilombolas atualmente.

 

Os profissionais da educação infantil não têm realizado um trabalho que contemple a diversidade racial existente na sociedade. Este silêncio reforça a legitimidade de procedimentos preconceituosos e discriminatórios no espaço escolar e, a partir dele, para outros âmbitos sociais, confirmando o direito de crianças brancas e não brancas a exercerem a discriminação racial de crianças negras; no cotidiano escolar ocorre uma desvalorização sistemática das características estéticas das crianças negras, paralelamente a valorização de um modelo estético branco; nas escolas de Educação Infantil, a atenção, o carinho, o afeto e os elogios são distribuídos de maneira desigual, e a categoria – raça - regula o critério de distribuição; a escola é um espaço que não efetiva, de fato, a inclusão positiva do grupo negro.


A primeira atitude do educador frente ao conteúdo dos livros didáticos e paradidáticos deve ser a de identificar a sua ideologia, com o fim de se posicionar a favor ou contra. No que diz respeito às ideologias racistas, o posicionamento deve ser contrário a estas. Caso não seja identificada e refletida, a ideologia racista será perpetuada. 

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