A sociedade exige, crescentemente, um professor qualificado, tanto nos planos científico e tecnológico como nos planos cultural e pedagógico. Só através de uma qualificação adequada, o professor terá condições de desempenhar eficazmente as funções que lhe compete, quer no sistema educativo quer na sociedade.
Sentir-se professor ou assumir-se como professor é o resultado de um processo evolutivo, construído dia a dia e ao longo dos anos, desde o momento da opção pela profissão docente, à custa, fundamentalmente, de um saber experiencial, resultante do modo como os professores se apropriam dos saberes de que são portadores, que deverão reconceitualizar; da capacidade de autonomia com que exercem a sua atividade; e do sentimento de que controlam o seu trabalho (Nóvoa, 1992).
"O Professor é Pessoa" – com esta afirmação poder-se-á dar início a uma análise desta difícil tarefa que é definir um perfil para o Professor.
Áquele grande conjunto de variáveis pode-se acrescentar outros com os quais o professor interage: os alunos, a escola, a comunidade. Continuamente posto à prova, o professor deverá ser capaz de se adaptar à multiplicidade de variáveis e, em função delas, modificar-se.
Parte-se do princípio de que na diversidade há algo de comum que aproxima todos aqueles que têm o mesmo objetivo, o de ser Professor. Partindo disto surge a possibilidade de esboçar um perfil que sirva de modelo. Perfil esse que possa desenvolver energias, identificar comportamentos e estimular adaptações para uma aproximação gradual do que o professor deve possuir como objetivo terminal.
O professor terá que possuir confiança suficiente, em si próprio e nos outros, competências e qualidades necessárias para criar e gerir a aprendizagem dos seus alunos, em ambientes bem adequados às necessidades.
As qualidades chave e as competências fundamentais dos professores, entre outras, deverão ser:
Líderes de aprendizagem e simultaneamente aprendizes durante toda a vida;
Promotores de equipes de aprendizagem;
Líderes de inovação nas escolas e na sociedade;
Flexíveis e adaptáveis a novas situações;
Inovadores, empreendedores e capazes de aceitar positivamente a mudança;
Abertos às necessidades dos alunos dos colegas e da comunidade;
Colaboradores e criadores, juntamente com colegas e alunos;
Promotores de um saber mais holístico, pluri, inter e transdisciplinar.
O modo como um docente se transformou no professor que, num dado momento, é o resultado de um processo de desenvolvimento pessoal e profissional, que, tendo por base as suas características pessoais e a sua personalidade, se realiza através de transições de vida e no quadro de um conjunto de fatores de natureza sócio-profissional, que compreendem o ambiente de trabalho na escola e as características especificas da profissão docente.
Ao longo da sua história de vida, o professor é, em cada momento, o resultado do seu "vivido" pessoal e profissional, ocorrendo as suas mudanças conceituais em dois contextos interativos: o da prática quotidiana e o dos grupos reflexivos. (Keiny, 1994).
De fato, o professor aprende com as práticas do trabalho docente, interagindo com os outros, pares e/ou agentes do processo educativo, enfrentando situações, resolvendo problemas, refletindo as dificuldades e os êxitos próprios e dos seus alunos, avaliando e reajustando as suas formas de ver, de agir e de refletir (Cavaco, 1991), no quadro dos seus valores pessoais, dos valores sociais vigentes e da cultura e desenvolvimento organizacional da escola.
O papel do professor é atualmente mais complexo e exigente do que no tempo em que se pretendia que ele fosse apenas um competente e eficaz transmissor de conhecimentos.
Quando nos pedem para caracterizar um antigo professor nosso, normalmente rotulamo-lo de bom ou mau professor dependendo da sua maneira de dar aulas, da sua relação com os alunos e se conseguiu ou não cativar-nos para a sua aula. Um "mau professor" pode ser aquele que tem autoridade a mais, como aquele que tem a menos, no primeiro caso porque assusta os alunos e impede um relacionamento saudável entre ambos, no segundo porque permite a desordem. Um "mau professor" também pode ser aquele que explica mal porque não sabe ou porque não consegue explicar melhor, quer por ignorância, quer por incapacidade de comunicação.
O fato da profissão docente não conseguir estabelecer uma imagem de si própria, provoca a insegurança, uma consequente inadaptação à realidade exterior e a tendência para o idealismo. (Marmoz, Louis).
Este mesmo autor definiu três possíveis imagens desta personagem multiforme de que se assume o professor: herói, mártir e cúmplice.
Herói, porque é um "servidor do estado e sacerdote da religião educativa" (Nóvoa, A., 1991), um prestador de serviços comprometido com o bem comum, um lutador ao responder às múltiplas exigências e ao tentar o equilíbrio e a neutralidade ao ponto de se esquecer de si próprio como pessoa com valores, princípios e convicções;
Mártir, porque tem que fazer frente a "um conflito de finalidades: ensinar e selecionar ao mesmo tempo" (Ranjard.), tem que se desdobrar em tarefas cada vez mais numerosas.
Cúmplice, porque sendo o professor o elemento central da Instituição, ele não existe sem o aluno. O aluno é necessário para provar a existência do professor.
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