quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Psicologia do Desenvolvimento - Wallon



A gênese da inteligência para Wallon é biológica e social, ou seja, o ser humano é
organicamente social e sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura. Nesse
sentido, a teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na psicogênese da
pessoa completa.

Wallon estudou o desenvolvimento humano a partir do desenvolvimento psíquico da criança. O desenvolvimento da criança aparece como resultado da maturação e das condições ambientais.

Realizou um estudo centrado na criança contextualizada, onde o ritmo no qual se sucedem as etapas do desenvolvimento é descontínuo, marcado por retrocessos e reviravoltas, provocando em cada etapa profundas mudanças nas anteriores.

A passagem dos estágios de desenvolvimento não se dá linearmente, mas por reformulação, instalando-se no momento da passagem de uma etapa a outra, crises que afetam a conduta da criança.

Os 5 estágios de desenvolvimento sucedem-se em fases com predominância afetiva e cognitiva:

 

1. Impulsivo-emocional: ocorre no 1° ano de vida. A predominância da afetividade orienta
as primeiras reações do bebê às pessoas, as quais intermediam sua relação com o mundo
físico;

 

2. Sensório-motor e projetivo: vai até os 3 anos. A aquisição da marcha e da preensão dão à criança maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração dos espaços. Ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos para se exteriorizar. O ato mental "projeta-se" em atos motores. O ato mental se desenvolve a partir do ato motor;

 

3. Personalismo: dos 3 aos 6 anos. Desenvolve-se a construção da consciência de si
mediante as interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelas pessoas;

 

4. Categorial: Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas,
para o conhecimento e conquista do mundo exterior;

 

5. Predominância funcional: Ocorre nova definição dos contornos da personalidade,
desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Questões pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.

 

Na sucessão de estágios há uma incorporação das conquistas realizadas pela outra
fase, construindo-se reciprocamente, num processo de integração e diferenciação.
·Wallon deixou-nos uma nova concepção da motricidade, da emotividade, da
inteligência humana e, sobretudo, uma maneira original de pensar a Psicologia infantil.

 

Psicogênese da Pessoa Completa:

Admite o organismo como condição primeira do pensamento, pois toda a função
psíquica supõe um componente orgânico.
No entanto, considera que não é condição suficiente, pois o objeto de ação mental vem do ambiente no qual o sujeito está inserido, ou seja, de fora. Considera que o homem é determinado fisiológica e socialmente, sujeito às disposições internas e às situações exteriores.

 

Psicologia Genética:

A psicologia genética estuda os processos psíquicos em sua origem. Wallon propõe a
psicogênese da pessoa completa, ou seja, o estudo integrado do desenvolvimento.
Considera que não é possível selecionar um único aspecto do ser humano; é preciso ver
o desenvolvimento nos vários campos (afetivo, motor e cognitivo). O estudo deve
considerar o sujeito como “geneticamente social” e a criança contextualizada.

 

Para ele a atividade do homem é inconcebível sem o meio social. Porém, pressupõe
uma conformação determinada do cérebro, haja vista que certas perturbações de sua
integridade, privam o indivíduo. Para ele não é possível dissociar o biológico do social.

 

O método adotado é o da observação pura. Considera que esta metodologia permite
conhecer a criança em seu contexto.

 

Wallon – Implicações na Educação

  Estuda a pessoa completa, contextuada e em seus diversos domínios.

● Procura mostrar quais são, nos diferentes momentos do desenvolvimento, os vínculos entre cada um e suas implicações com o todo representado pela personalidade.

  Oferece subsídios para aprofundar a reflexão sobre a prática pedagógica, motivando a investigação educacional.

  Ao mesmo tempo, impõe exigências sobre esta prática, cobrando da Escola o atendimento do indivíduo na integridade dos domínios que o constituem (afetivo, cognitivo e motor).

  Mostrou que as crianças têm também corpo e emoções (e não apenas cabeça).

  Reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir. É a negação do ensino".

 ●  Falar que a escola deve proporcionar formação integral (intelectual, afetiva e social) às crianças é comum hoje em dia. No início do século passado, porém, essa idéia foi uma verdadeira revolução no ensino.

  Sua teoria pedagógica, que diz que o desenvolvimento intelectual envolve muito mais do que o cérebro, abalou convicções. Wallon foi o primeiro a levar o corpo e as emoções da criança para dentro da sala de aula.

a. Afetividade

As emoções têm papel preponderante no desenvolvimento. É por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e vontades. São manifestações que expressam um universo importante e perceptível, mas pouco estimulado pelos modelos tradicionais.

b. Movimento


A motricidade tem caráter pedagógico tanto pela qualidade do gesto e do movimento
quanto por sua representação. A escola infelizmente insiste em imobilizar a criança numa carteira, limitando justamente a fluidez das emoções e do pensamento, tão necessária ao desenvolvimento completo da pessoa.

c. Inteligência

O desenvolvimento da inteligência depende de como cada criança faz as diferenciações
com a realidade exterior. É na solução dos confrontos que a inteligência evolui. Wallon
diz que o sincretismo (mistura de idéias num mesmo plano), bastante comum nessa fase, é fator determinante para o desenvolvimento intelectual.

d. O eu e o outro

A construção do eu na teoria de Wallon depende essencialmente do outro. Principalmente a partir do instante em que a criança começa a viver a chamada crise de oposição, em que a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento de descoberta de si própria. Isso se dá aos 3 anos, a hora de saber quem "eu" sou.

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